Tópico 1 – Diagnóstico Precoce de Gestação (28 a 35 dias)
A ultrassonografia retal tem se consolidado como a principal ferramenta para diagnóstico precoce de gestação em bovinos, oferecendo vantagens como a antecipação de decisões reprodutivas, diminuição do intervalo entre partos e aumento da taxa de prenhez ao primeiro serviço. A partir de 28 dias pós-inseminação, é possível identificar com segurança os sinais iniciais de gestação.
Principais achados ultrassonográficos
Presença de vesícula embrionária: estrutura anecogênica (preta), arredondada, visível dentro do corno uterino gestante.
Embrião visível: pequeno ponto ecogênico (branco) dentro da vesícula, com 3 a 4 mm.
Batimentos cardíacos embrionários: observáveis mais facilmente a partir do 30º dia com aparelhos de boa qualidade. Permite provar a viabilidade embrionária.
Corpo lúteo funcional no ovário ipsilateral: frequentemente sólido, podendo ser cavitário.
Impacto do diagnóstico precoce
A identificação precoce permite:
Separação imediata de vacas gestantes e vazias;
Reprotocolar vacas não gestantes rapidamente;
Encaminhar prenhas para lotes nutricionais distintos;
Melhorar a eficiência da estação de monta e do repasse com touros.
Esse tipo de manejo está diretamente associado a aumentos de produtividade e rentabilidade nas fazendas de corte e leite (BARUSELLI et al., 2020; ROMANO et al., 2021).
Tópico 2: Diagnóstico de Gestação aos 45 Dias
Aos 45 dias de gestação, o diagnóstico á pode ser feito através de palpação retal ou ultrassonografia.
Principais achados ultrassonográficos
Embrião com tamanho maior e melhor definição morfológica com cabeça, membros e corpo distinguíveis.
Presença de membrana amniótica.
Líquido amniótico abundantemente anecogênico, preenchendo totalmente a vesícula embrionária.
Batimentos cardíacos: Observáveis mais facilmente com aparelhos de boa qualidade. Permite provar a viabilidade embrionária.
Corpo lúteo ainda presente e funcional.
Esses sinais confirmam não apenas a prenhez, mas também a viabilidade embrionária. Segundo Baruselli et al. (2020), entre 7 e 20% das gestações precocemente diagnosticadas podem ser perdidas antes do 45º dia, o que justifica a importância do exame nessa fase.
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Tópico 3: Diagnóstico de Gestação aos 60 Dias (Confirmação)
Aos 60 dias de gestação, a ultrassonografia permite uma avaliação mais robusta da viabilidade fetal e da manutenção da prenhez. Esse exame é conhecido como confirmação de gestação, pois ocorre após o período de maior vulnerabilidade a perdas embrionárias e fetais precoces, que se concentram nessa fase pós-fertilização.
A confirmação gestacional é uma etapa crítica em sistemas de reprodução intensiva, como IATF e FIV, pois oferece segurança para:
- Separar definitivamente as vacas gestantes para manejo nutricional adequado;
- Identificar perdas embrionárias que passaram despercebidas no exame anterior;
- Evitar investimentos desnecessários em fêmeas não gestantes;
- Programar o calendário de secagem, partos e reavaliações reprodutivas.
Principais achados ultrassonográficos
Feto visível com morfologia bem definida, medindo entre 20 e 40 mm.
Batimentos cardíacos rítmicos com movimento corporal espontâneo.
Formação evidente da placenta (cotilédones e carúnculas) como estruturas ecogênicas bem distribuídas.
Cordão umbilical visível.
Nesse período já é possível fazer a sexagem fetal
Tópico 4: Diagnóstico de Gestação aos 90 Dias
A avaliação ultrassonográfica da gestação aos 90 dias pós-inseminação é um recurso adicional em rebanhos que adotam manejos reprodutivos intensivos e bem estruturados. Nesse momento, a gestação já está consolidada, e o feto apresenta tamanho suficiente para avaliação anatômica mais detalhada, o que contribui para o monitoramento do desenvolvimento fetal e confirmação definitiva da gestação.
Além disso, esse exame ainda permite realizar a sexagem fetal, apesar de não ser a melhor época para isso.
Principais achados ultrassonográficos
Presença do feto com 8 a 12 cm, com estrutura corporal bem definida: cabeça, membros, costelas, abdômen e olhos visíveis.
Movimentos fetais espontâneos, como flexão das extremidades e movimentação cervical.
Batimentos cardíacos facilmente visualizados, podendo ser monitorados em tempo real.
Cordão umbilical claramente identificado e com fluxo visível, caso Doppler seja utilizado.
Placenta bem formada, com cotilédones ecogênicos aderidos às carúnculas uterinas.
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Tópico 5: Sexagem Fetal em Bovinos
A sexagem fetal por ultrassonografia é uma ferramenta consolidada na reprodução bovina moderna. Permite identificar o sexo do feto de forma não invasiva, precoce e confiável, com reflexos diretos na tomada de decisões estratégicas, como o destino de receptoras, o planejamento genético, a organização de lotes e o mercado de bezerros.
Trata-se de uma técnica amplamente usada em programas de transferência de embriões (TE), fertilização in vitro (FIV) e rebanhos com inseminação artificial em tempo fixo (IATF).
Período ideal para sexagem fetal
Segundo Nogueira (2022), a sexagem ultrassonográfica é mais precisa entre 55 e 70 dias de gestação, sendo possível, com menor acurácia, a partir dos 55 dias. Após os 90 dias, a movimentação fetal e o posicionamento uterino dificultam a visualização anatômica ideal da genitália externa.
Técnica e achados ultrassonográficos
A sexagem é realizada por via transretal, utilizando um transdutor linear de 5 a 7,5 MHz. A técnica se baseia na identificação do tubérculo genital, estrutura embrionária que migra em direção ao cordão umbilical nos machos e à inserção da cauda nas fêmeas.
Para realização da sexagem fetal é importante que o examinador movimente a probe cranialmente e lateralmente até encontrar o feto. Em seguida deve realizar movimentos com a probe para que consiga gerar uma imagem adequada para visualização do tuberculo genital, como nas imagens à seguir:
Feto macho: O tubérculo genital está posicionado próximo ao cordão umbilical.
Feto fêmea: Tubérculo genital localizado na região caudal, próxima à inserção da cauda
Fatores que interferem na acurácia
- Excesso de conteúdo retal (fezes, gases);
- Posição desfavorável do feto;
- Equipamentos com baixa resolução;
- Inexperiência do operador.
Por isso, é fundamental que a sexagem seja realizada por médico-veterinário treinado, com conhecimento da técnica e domínio da anatomia fetal.