Tópico 1: Fisiologia e Anatomia Reprodutiva da Fêmea Bovina
Antes de realizar o exame ultrassonográfico, é fundamental compreender a anatomia da fêmea bovina, composta por estruturas que devem ser identificadas para uma correta interpretação das imagens:
Vagina
A vagina é o órgão em que o sêmen é depositado quando ocorre a monta natural. Geralmente não é o foco do exame ultrassonográfico reprodutivo, sendo o exame clínico visual a principal forma de observação dessa região.
Cérvix
A cérvix é uma estrutura cilíndrica de consistência mais dura. É formada por anéis fibrosos e camada muscular que funciona como um esfíncter, possui pregas longitudinais que restringem o lúmen fora do estro e tem grande importância para a saúde uterina por evitar a entrada de corpos estranhos e agentes patogênicos. Normalmente não é vista no exame ultrassonográfico, mas deve ser sempre o ponto de partida na palpação retal.
IMAGEM 5: Imagem de ultrassonografia transretal em modo B (escala de cinza), representando a cérvix bovina em corte longitudinal.
Na imagem, observa-se a cérvix bovina, caracterizada pela presença de tecido cervical com ecogenicidade heterogênea e disposição das pregas cervicais, permitindo a identificação e avaliação da estrutura em seu eixo longitudinal.
O aspecto ultrassonográfico da cérvix está relacionado principalmente à organização das pregas e do tecido fibromuscular cervical, que podem produzir diferentes graus de ecogenicidade. A identificação adequada dessa estrutura é importante durante o exame ginecológico, especialmente para a orientação anatômica, localização do útero e avaliação do trato reprodutivo.
A cérvix apresenta características ultrassonográficas que podem variar conforme o momento do ciclo estral, o grau de edema e as alterações fisiológicas associadas à atividade reprodutiva.
Equipamento: Croxxvet R1 Color. Transdutor: UL8-4T. Frequência: 6 MHz. Profundidade: 100 mm. Modo B.
Vídeo 5: Imagem de ultrassonografia transretal em modo B (escala de cinza), representando a cérvix bovina em corte longitudinal.
Na imagem, observa-se a cérvix bovina, caracterizada pela presença de tecido cervical com ecogenicidade heterogênea e disposição das pregas cervicais, permitindo a identificação e avaliação da estrutura em seu eixo longitudinal.
O aspecto ultrassonográfico da cérvix está relacionado principalmente à organização das pregas e do tecido fibromuscular cervical, que podem produzir diferentes graus de ecogenicidade, mesclando linhas anecoicas, hipoecoicas e hiperecoicas alternadamente. A identificação adequada dessa estrutura é importante durante o exame ginecológico, especialmente para a orientação anatômica, localização do útero e avaliação do trato reprodutivo.
A cérvix apresenta características ultrassonográficas que podem variar conforme o momento do ciclo estral, o grau de edema e as alterações fisiológicas associadas à atividade reprodutiva.
Equipamento: Croxxvet R1 Color. Transdutor: UL8-4T. Frequência: 6 MHz. Profundidade: 100 mm. Modo B.
Corpo e cornos uterinos
O útero bovino é composto por um corpo curto e dois cornos uterinos longos e cilíndricos, encarneirados (curvados para baixo). No exame de ultrassom transretal podem ser visualizados em cortes longitudinais ou transversais, apresentando parede muscular uniforme e camada endometrial interna ecogênica. O tônus do útero também varia de acordo com a fase do ciclo estral em que pode haver ação estrogênica ou progesterônica.
Técnicas de varredura ultrassonográfica
O médico veterinário deve iniciar o exame se guiando pela posição da cérvix e da bexiga. São as estruturas que devem ser identificadas no início para se guiar posteriormente.
O próximo passo é a imagem do corpo do útero movendo a probe cranialmente e lateralmente escaneando todo o corpo do útero.
Cranialmente será identificada a curvatura dos cornos uterinos, nesse momento o médico veterinário deve escanear cada corno uterino individualmente. É importante que todo corno seja escaneado.
- Transversal: o corpo ou corno uterino é cortado em fatias, permitindo análise de simetria, conteúdo e tonicidade.
- No corte transversal, o útero é visualizado como uma estrutura circular ou ovalada, apresentando aspecto de “anel” ou de “roda de carroça”. A parede uterina delimita uma borda mais ecogênica, enquanto o lúmen central apresenta ecogenicidade variável, podendo estar colabado ou conter conteúdo líquido. Observam-se ainda áreas hiperecogênicas correspondentes à mucosa uterina distribuídas perifericamente, intercaladas por regiões anecogênicas que indicam a presença de líquido ou muco no interior do lúmen.
IMAGEM 6
Corte transversal de útero bovino, em Modo B: Observa-se estrutura arredondada de contorno bem definido, com parede periférica hipoecoica (correspondente ao miométrio/serosa uterina/mucosa) delimitando uma região central predominantemente anecoica (lúmen).
Equipamento: Croxxvet R1 Color. Transdutor linear retal. Parâmetros: FH5.5/D100, G70
IMAGEM 7
Corte transveral do útero bovino: Observa-se formato arredondado, aspecto característico de “roda de carroça” ou “metade da laranja”, mesclando diferentes tonalidades de cinza: bordas hipoecoicas (mais escuras) circundando o lúmen anecoico (centro totalmente escuro, sem ecos).
Equipamento: Croxxvet R1 Color. Transdutor linear retal. Parâmetros: FH5.5/D100, G70
- Longitudinal:
- O corte longitudinal do útero é obtido quando o transdutor é posicionado de maneira a acompanhar o eixo longitudinal do corno uterino ou do corpo do útero, permitindo visualizar a estrutura uterina em seu maior comprimento. Nessa orientação, é possível observar uma porção mais extensa da parede uterina e do lúmen, facilitando a avaliação de sua espessura, ecogenicidade e conteúdo.
IMAGEM 8: Imagem ultrassonográfica em corte longitudinal de corno uterino bovino, em Modo B. Em corte longitudinal, o útero bovino não gravídico apresenta-se como uma estrutura tubular alongada, permitindo o rastreamento contínuo do corno uterino desde o corpo do útero até os anexos, além de auxiliar na localização dos ovários direito e esquerdo. As paredes uterinas são visualizadas como linhas paralelas com bordas hiperecogênicas (setas azuis), evidenciando a mucosa endometrial, enquanto o lúmen central apresenta-se hipoecogênico (área vermelha). Em alguns casos, podem ser observadas pequenas áreas anecoicas no interior do lúmen, compatíveis com a presença de muco ou discreto conteúdo líquido. Essa configuração é característica de um útero não gestante, sem alterações estruturais evidentes.
Equipamento: Mindray M6Vet. Transdutor 6LE5Vs (linear retal). Parâmetros: FH8.0/D4.6, G52/FR31, IP5/DR90.
Imagens de Útero
VÍDEO 3: Imagem de ultrassonografia transretal em Modo B (escala de cinza), representando corte longitudinal de útero bovino não gravídico.
As bordas hiperecogênicas delimitam a parede uterina, enquanto a região central, hipoecogênica, corresponde ao lúmen uterino. Em determinados momentos, podem ser identificadas pequenas áreas anecoicas no interior do lúmen, indicativas de muco ou discreto conteúdo líquido — achado sem significado patológico quando presente em pequena quantidade.
Equipamento: Mindray M6Vet. Transdutor 6LE5Vs (linear retal). Parâmetros: FH8.0/D4.6, G52/FR31, IP5/DR90.
VÍDEO 4: Imagem de ultrassonografia transretal em modo B (escala de cinza), representando um útero bovino em corte longitudinal.
Na imagem, observam-se as bordas uterinas com traços hiperecogênicos, delimitando a parede do útero. Ao centro, o conteúdo apresenta padrão hipoecogênico, com alguns traços anecoicos entremeados.
Equipamento: Mindray M6Vet. Transdutor 6LE5Vs (linear retal). Parâmetros: FH8.0/D4.6, G52/FR31, IP5/DR90.
VÍDEO 5: Imagem de ultrassonografia transretal em modo B (escala de cinza), representando um útero bovino.
Na imagem, é possível observar todo o útero, contemplando tanto o corte longitudinal quanto cortes transversais.
Os cornos uterinos são visualizados lado a lado em corte transversal, apresentando conteúdo hipoecoico e ausência de líquido, o que indica não gestação.
O contorno uterino apresenta tonalidade hiperecogênica, inclusive na curvatura do útero, com conteúdo interno hipoecoico. Não há conteúdo anecoico, reforçando a ausência de evidências de gestação.
Equipamento: Mindray M6Vet. Transdutor 6LE5Vs (linear retal). Parâmetros: FH8.0/D4.6, G52/FR31, IP5/DR90.
VÍDEO 6: Imagem de ultrassonografia transretal em modo B (escala de cinza), representando um útero bovino.
Na imagem, é possível observar todo o útero, contemplando tanto o corte longitudinal quanto cortes transversais.
Observa-se o contorno uterino em tonalidade hiperecogênica, inclusive na curvatura do útero, com conteúdo interno hipoecoico. Não há conteúdo anecoico, o que reforça a ausência de evidências de gestação.
Equipamento: Mindray M6Vet. Transdutor 6LE5Vs (linear retal). Parâmetros: FH8.0/D4.6, G52/FR31, IP5/DR90.
Ovários
Localizados próximo à extremidade dos cornos uterinos, os ovários têm formato oval, variando de tamanho de acordo com a fase do ciclo reprodutivo. Durante o ultrassom, é possível visualizar folículos anecogênicos (cheios de fluido) e o corpo lúteo, estrutura mais ecogênica, fundamental para avaliação da ciclicidade.
VÍDEO 7: Imagem de ultrassonografia transretal em modo B (escala de cinza), representando um ovário bovino em corte longitudinal.
O ovário apresenta formato arredondado e levemente alongado. O estroma ovariano exibe conteúdo hipoecogênico, com a presença de vários folículos pequenos e arredondados, de tonalidade anecoica.
Não há presença de estruturas relevantes, como folículo dominante ou corpo lúteo.
Equipamento: Mindray M6Vet. Transdutor 6LE5Vs (linear retal). Parâmetros: FH6.5/D4.6, G52/FR93, IP5/DR90.
VÍDEO 8: Imagem de ultrassonografia transretal em modo B (escala de cinza), representando um ovário bovino em corte longitudinal.
Ovário com presença de folículo dominante: estrutura arredondada, bem delimitada, de conteúdo anecoico (preto), indicando a presença de líquido folicular. Apresenta parede fina e regular, com limites nítidos em relação ao estroma ovariano adjacente, que se mostra mais ecogênico. O folículo dominante apresenta diâmetro superior aos demais folículos presentes no ovário.
Equipamento: Mindray M6Vet. Transdutor 6LE5Vs (linear retal). Parâmetros: FH5.0/D4.6, G52/FR93, IP5/DR90.
VÍDEO 9: Imagem de ultrassonografia transretal em modo B (escala de cinza), representando um ovário bovino em corte longitudinal.
O corpo lúteo é identificado como uma estrutura sólida, de formato variável (frequentemente arredondado ou levemente irregular), com ecogenicidade mais elevada em relação ao estroma ovariano adjacente, variando em tonalidades de cinza sem, no entanto, atingir um padrão hiperecoico.
Em alguns casos, pode conter uma cavidade central preenchida por líquido (corpo lúteo cavitário), visível como uma área anecoica no seu interior.
Equipamento: Mindray M6Vet. Transdutor 6LE5Vs (linear retal). Parâmetros: FH6.5/D4.6, G52/FR93, IP5/DR90.
VÍDEO 10: Imagem de ultrassonografia transretal em modo B (escala de cinza), representando um ovário bovino em corte longitudinal.
O corpo lúteo cavitário é identificado como uma estrutura sólida, com ecogenicidade mais elevada em relação ao estroma ovariano.
Internamente, observa-se uma cavidade central de conteúdo anecoico (preto), correspondente ao acúmulo de líquido característico dessa apresentação, que ainda não foi luteinizado.
Equipamento: Mindray M6Vet. Transdutor 6LE5Vs (linear retal). Parâmetros: FH8.0/D4.6, G52/FR31, IP5/DR90.
VÍDEO 11: Imagem de ultrassonografia transretal em modo B (escala de cinza), representando um ovário bovino em corte longitudinal.
Mais uma imagem de corpo lúteo: Arredondado e levemente irregular, hiperecogênico em relação ao estroma ovariano ao redor.
Equipamento: Mindray M6Vet. Transdutor 6LE5Vs (linear retal). Parâmetros: FH8.0/D4.6, G52/FR31, IP5/DR90.
VÍDEO 12: Imagem de ultrassonografia transretal em modo B (escala de cinza), representando um ovário bovino em corte longitudinal.
O ovário apresenta formato alongado. O estroma ovariano exibe conteúdo hipoecogênico, com a presença de vários folículos pequenos e arredondados, de tonalidade anecoica.
Equipamento: Mindray M6Vet. Transdutor 6LE5Vs (linear retal). Parâmetros: FH6.5/D4.6, G52/FR93, IP5/DR90.
VÍDEO 13: Imagem de ultrassonografia transretal em modo B (escala de cinza), mostrando dois ovários em corte longitudinal.
À esquerda da imagem, ovário em formato oval com presença de folículo dominante.
À direita, ovário mais alongado contendo corpo lúteo cavitário e folículo dominante.
Há presença de um folículo pequeno ao lado esquerdo do corpo lúteo.
Equipamento: Croxxvet R1 Color. Transdutor linear retal. Parâmetros: FH5.5/D100, G70
VÍDEO 14: Imagem de ultrassonografia transretal em modo B (escala de cinza), representando um ovário bovino em corte longitudinal.
O ovário apresenta formato arredondado. O estroma ovariano exibe conteúdo hipoecogênico, com a presença de vários folículos pequenos e arredondados, de tonalidade anecoica.
É possível visualizar a curvatura uterina ao lado direito do ovário.
Equipamento: Mindray M6Vet. Transdutor 6LE5Vs (linear retal). Parâmetros: FH5.0/D4.6, G52/FR93, IP5/DR90.
Fases do Ciclo Estral
De acordo com a fase do ciclo estral em que a fêmea se encontra, esses órgãos apresentarão características diferentes.
A ultrassonografia é uma ferramenta extremamente útil para diferenciar o status reprodutivo das vacas. O aspecto do útero e dos ovários varia conforme o animal está em anestro profundo, anestro transitório ou em ciclo estral ativo. A seguir, são descritas as características ultrassonográficas típicas de cada situação:
a) Vaca em anestro profundo
Útero: Útero fino, flácido, com pouco ou nenhum tônus, nota-se ausência de conteúdo uterino e o endométrio aparece como uma linha ecogênica fina e sem atividade funcional.
Ovários: São pequenos e inativos, sem estruturas relevantes como folículos dominantes e corpo lúteo. O aspecto é homogêneo, sólido e hipoecogênico.
Diagnóstico: animal em anestro profundo.
Causas comuns: má nutrição, pós-parto precoce ou falhas de manejo.
VÍDEO 15: Imagem de ultrassonografia transretal em modo B (escala de cinza), representando útero e ovários bovinos.
Nesta imagem, observa-se o útero com boa definição, sendo possível acompanhar o corpo uterino até sua curvatura, assim como os cornos uterinos ao longo de sua extensão. As paredes uterinas apresentam aspecto homogêneo e, ao corte transversal, podem ser visualizadas discretas áreas anecoicas no lúmen, compatíveis com pequena quantidade de muco.
Nos ovários, não se identificam estruturas funcionais relevantes, como folículo dominante ou corpo lúteo, sendo observados apenas múltiplos folículos de pequeno diâmetro distribuídos no estroma ovariano, caracterizando um quadro de inatividade ovariana.
Equipamento: Mindray M6Vet. Transdutor 6LE5Vs (linear retal). Parâmetros: FH6.5/D4.6, G52/FR93, IP5/DR90.
VÍDEO 16: Imagem de ultrassonografia transretal em modo B (escala de cinza), representando útero e ovários bovinos.
Nesta imagem, observa-se o útero com boa definição, tanto em cortes transversais quanto no corte longitudinal.
Apesar de haver assimetria de tamanho entre os ovários, não se identificam estruturas funcionais relevantes como folículo dominante ou corpo lúteo em nenhum dos dois. Apenas folículos de pequeno calibre.
Equipamento: Mindray M6Vet. Transdutor 6LE5Vs (linear retal). Parâmetros: FH6.5/D4.6, G52/FR93, IP5/DR90.
VÍDEO 16: Imagem de ultrassonografia transretal em modo B (escala de cinza), representando útero e ovários bovinos.
Nesta imagem, observa-se o útero com boa definição e vários cortes transversais, quanto no corte longitudinal.
Apesar de haver assimetria de tamanho entre os ovários, não se identificam estruturas funcionais relevantes como folículo dominante ou corpo lúteo em nenhum dos dois. Apenas folículos de pequeno calibre.
Equipamento: Mindray M6Vet. Transdutor 6LE5Vs (linear retal). Parâmetros: FH6.5/D4.6, G52/FR93, IP5/DR90.
b) Vaca em anestro transitório
Útero: Apresenta tônus, pois já há uma pequena ação hormonal.
Ovários: apresentam um folículo dominante, mas sem corpo lúteo, pois ainda não houve ovulação. Pode haver crescimento folicular sem ovulação.
Diagnóstico: animal em transição para a ciclicidade.
Causas comuns: má nutrição, pós-parto precoce ou falhas de manejo.
VÍDEO 17: Imagem de ultrassonografia transretal em modo B (escala de cinza), representando útero e ovários bovinos.
Imagem ultrassonográfica de um útero não gestante, mostrando cortes longitudinal e transversal do lúmen uterino. Nota-se ecogenicidade homogênea, sem evidência de vesícula embrionária ou conteúdo intrauterino compatível com gestação. É possível visualizar espessamento do endométrio.
A avaliação ovariana demonstra presença de folículo dominante anecoico e diversos folículos pequenos que contrastam com o estroma ovariano.
Equipamento: Mindray M6Vet. Transdutor 6LE5Vs (linear retal). Parâmetros: FH6.5/D4.6, G52/FR93, IP5/DR90.
VÍDEO 18: Imagem de ultrassonografia transretal em modo B (escala de cinza), representando útero e ovários bovinos.
Imagem ultrassonográfica de um útero não gestante, mostrando cortes longitudinal e transversal do lúmen uterino. Nota-se ecogenicidade homogênea, sem evidência de vesícula embrionária ou conteúdo intrauterino compatível com gestação.
A avaliação ovariana revela ovário de dimensões reduzidas, apresentando um folículo dominante de pequeno diâmetro, estrutura arredondada, de conteúdo anecoico e parede fina, discretamente destacada em relação às demais estruturas foliculares presentes no estroma. Não há presença de corpo lúteo. Tais achados são compatíveis com anestro transitório, quadro em que já se observa o início da retomada da atividade folicular, ainda sem estabelecimento pleno da ciclicidade ovariana regular.
Equipamento: Mindray M6Vet. Transdutor 6LE5Vs (linear retal). Parâmetros: FH6.5/D4.6, G52/FR93, IP5/DR90.
VÍDEO 19: Imagem de ultrassonografia transretal em modo B (escala de cinza), representando útero e ovários bovinos.
Imagem ultrassonográfica de um útero não gestante, mostrando corte longitudinal do lúmen uterino. Nota-se ecogenicidade homogênea, sem evidência de vesícula embrionária ou conteúdo intrauterino compatível com gestação.
A avaliação ovariana revela assimetria funcional entre os ovários: um deles apresenta um folículo dominante, visualizado como estrutura arredondada, de conteúdo anecoico, parede fina e regular, destacando-se em diâmetro em relação às demais estruturas foliculares. O ovário contralateral, além de possuir menor tamanho, apresenta múltiplos folículos de pequeno diâmetro, distribuídos no estroma ovariano, sem dominância folicular evidente. Não há presença de corpo lúteo em nenhum dos ovários, achados compatíveis com fêmea não gestante em fase de anestro transitório.
Equipamento: Mindray M6Vet. Transdutor 6LE5Vs (linear retal). Parâmetros: FH6.5/D4.6, G52/FR93, IP5/DR90.
VÍDEO 20: Imagem de ultrassonografia transretal em modo B (escala de cinza), representando útero e ovários bovinos.
Na imagem ultrassonográfica é possível visualizar corte longitudinal do útero não gestante. Nota-se ecogenicidade homogênea, sem evidência de vesícula embrionária.
A avaliação ovariana revela assimetria: um deles apresenta um folículo dominante, visualizado como estrutura arredondada, de conteúdo anecoico, parede fina e regular, destacando-se em diâmetro em relação às demais estruturas foliculares. O ovário contralateral, além de possuir menor tamanho, apresenta múltiplos folículos de pequeno diâmetro, distribuídos no estroma ovariano, sem dominância folicular evidente.
Não há presença de corpo lúteo em nenhum dos ovários, achados compatíveis com fêmea não gestante em fase de anestro transitório.
Equipamento: Mindray M6Vet. Transdutor 6LE5Vs (linear retal). Parâmetros: FH6.5/D4.6, G52/FR93, IP5/DR90.
c) Vaca ciclando
Útero: apresenta tônus moderado a alto, dependendo da fase do ciclo estral. O endométrio pode apresentar ecogenicidade variável, com sinais indiretos de ação estrogênica (edema, dobra da mucosa).
Ovários: Ovário está aumentado. Presença de corpo lúteo funcional visível. O CL pode ser sólido ou cavitário, com conteúdo central anecogênico. Estruturas ovarianas são bem delimitadas.
Ciclo estral: ocorre atividade folicular contínua, com fases de crescimento, maturação e regressão luteal
VÍDEO 21: Imagem de ultrassonografia transretal em modo B (escala de cinza), representando útero e ovários bovinos.
Na imagem ultrassonográfica é possível visualizar vários cortes longitudinais e transversais do útero não gestante. Nota-se ecogenicidade homogênea, sem evidência de vesícula embrionária.
A avaliação ovariana revela presença de corpo lúteo em um dos ovários, visualizado como estrutura arredondada, de ecogenicidade maior que o estroma ovariano.
Equipamento: Mindray M6Vet. Transdutor 6LE5Vs (linear retal). Parâmetros: FH8.0/D4.6, G52/FR31, IP5/DR90.
VÍDEO 22: Imagem de ultrassonografia transretal em modo B (escala de cinza), representando útero e ovários bovinos.
Imagem ultrassonográfica de um útero não gestante, mostrando cortes longitudinal e transversal do lúmen uterino. Nota-se ecogenicidade homogênea, sem evidência de vesícula embrionária ou conteúdo intrauterino compatível com gestação.
A avaliação ovariana demonstra a presença de corpo lúteo funcional, estrutura sólida e bem delimitada em relação ao estroma ovariano adjacente, associada a folículos de pequeno a médio diâmetro em desenvolvimento. Tais achados são compatíveis com fêmea não gestante e ciclando normalmente, evidenciando atividade ovariana cíclica preservada.
Equipamento: Mindray M6Vet. Transdutor 6LE5Vs (linear retal). Parâmetros: FH8.0/D4.6, G52/FR31, IP5/DR90.
VÍDEO 3: Imagem de ultrassonografia transretal em modo B (escala de cinza), representando útero e ovários bovinos.
Imagem ultrassonográfica de um útero não gestante, mostrando cortes longitudinal e transversal do lúmen uterino. Nota-se ecogenicidade homogênea, sem evidência de vesícula embrionária ou conteúdo intrauterino compatível com gestação.
A avaliação ovariana demonstra a presença de corpo lúteo cavitário, estrutura sólida e bem delimitada em relação ao estroma ovariano com região anecoica ao centro.
O ovário contralateral apresenta folículo dominante.
Tais achados são compatíveis com fêmea não gestante e ciclando normalmente, evidenciando atividade ovariana cíclica preservada.
Equipamento: Croxxvet R1 Color. Transdutor: UL8-4T. Frequência: 6 MHz. Profundidade: 100 mm. Modo B.
Importância na prática de campo
Entender a posição relativa e aparência das estruturas permite diferenciar fêmeas ciclando, em anestro ou gestantes; detectar patologias como piometra e endometrite, planejar tratamentos, protocolos de inseminação específicos ou descarte estratégico de forma mais eficiente.
Tópico 2: Técnica do Exame Ultrassonográfico
A realização do exame ultrassonográfico reprodutivo em bovinos exige habilidade na manipulação transretal do transdutor, conhecimento anatômico e domínio da formação de imagens em cortes transversais e longitudinais. O exame deve ser realizado com técnica padronizada para garantir uma avaliação completa do aparelho reprodutivo e auxiliar em diagnósticos precisos.
Posicionamento e início do exame
O exame começa com a introdução do braço do operador no reto da vaca, após esvaziamento das fezes e lubrificação adequada. O transdutor, geralmente acoplado a uma luva de palpação com suporte, é posicionado sobre a parede ventral do reto, diretamente sobre o trato reprodutivo.
A sequência mais recomendada para o exame inicia pelo corpo do útero, utilizando cortes longitudinais fazendo a varredura de todo o útero. Em seguida, passa-se à varredura transversal de cada corno uterino até a extremidade, verificando simetria, dilatação e presença de conteúdo.
VÍDEO 23: Imagem demonstrando a movimentação da probe dentro do reto da vaca.
Inicialmente, faz-se a varredura longitudinal por todo o útero, seguida da varredura transversal dos cornos uterinos direito e esquerdo. Ao fim da varredura de cada corno uterino, deve ser feita a avaliação do ovário correspondente.
Avaliação dos ovários
Após a varredura do útero, o operador deve localizar o ovário direito, geralmente em posição ventrolateral ao corno uterino direito. Utiliza-se a imagem transversal para avaliar o volume do ovário, presença de folículos (anecoicos), corpos lúteos (hiperecogênicos) e eventuais estruturas patológicas (cistos principalmente).
Concluída a avaliação do lado direito, repete-se o procedimento do lado esquerdo.
Em vacas não gestantes, espera-se encontrar simetria anatômica e resposta funcional compatível com a fase do ciclo estral.
A alternância entre os modos de imagem garante uma exploração tridimensional completa das estruturas avaliadas.
Dificuldades comuns e recomendações
Algumas vacas, especialmente multíparas, podem apresentar maior profundidade abdominal ou mobilidade uterina reduzida, dificultando a obtenção de imagens nítidas. Nesses casos, uma opção é usar transdutores com menor frequência para maior penetração, além de movimentos lentos e firmes para melhorar a aderência do transdutor à parede intestinal. É muito importante garantir que todo o útero será visualizado para não correr o risco de perder alguma gestação ou patologia.
Tópico 3: Patologias Diagnosticáveis por Ultrassonografia
A ultrassonografia transretal é uma ferramenta valiosa na identificação precoce de alterações patológicas do trato reprodutivo de fêmeas bovinas, permitindo intervenções rápidas e eficazes que reduzem o intervalo entre partos e melhoram os índices reprodutivos do rebanho.
A seguir, estão descritas as principais patologias diagnosticadas com ultrassom:
Cisto folicular
Imagem ultrassonográfica: estrutura anecogênica, com paredes finas e diâmetro geralmente superior a 20 mm, sem presença de corpo lúteo no ovário homolateral.
VÍDEO 24: Imagem de ultrassonografia transretal em modo B (escala de cinza), representando um ovário bovino em corte longitudinal.
Na imagem, observa-se a presença de um cisto folicular, caracterizado por estrutura arredondada, de parede fina e regular, conteúdo anecoico e diâmetro superior a 2,5 cm, sem evidência de tecido luteal em sua parede — achado compatível com estrutura cística não luteinizada.
Adicionalmente, nota-se a presença de um cisto luteínico, com parede espessada e ecogenicidade mais elevada em relação ao estroma ovariano adjacente, circundando uma cavidade central de conteúdo anecoico. Essa estrutura corresponde a uma luteinização de cisto folicular pré-existente, processo compatível com resposta a tratamento hormonal — a espessura da parede luteal e a ecogenicidade mais elevada em relação à cavidade central diferenciam essa estrutura do cisto folicular não tratado, confirmando função luteal estabelecida.
Equipamento: Mindray M6Vet. Transdutor 6LE5Vs (linear retal). Parâmetros: FH6.5/D4.6, G52/FR93, IP5/DR90.
VÍDEO 25: Imagem ultrassonográfica em Modo B evidenciando estrutura compatível com cisto folicular ovariano bovino.
Observa-se estrutura anecoica de grandes dimensões, contorno regular e parede fina, sem evidência de espessamento parietal significativo ou de padrão ecogênico interno — achados que a diferenciam de um folículo pré-ovulatório normal, cujo diâmetro habitualmente não ultrapassa os limites fisiológicos esperados para a espécie.
Equipamento: transdutor retal, frequência 5,0 MHz. Fonte do vídeo: Luis Angel Quintela Arias
Conduta: administração de GnRH ou análogos para indução da luteinização ou ovulação. Pode ser seguido de aplicação de PGF₂α se houver luteinização.
Cisto luteínico
Imagem ultrassonográfica: massa ovalada com conteúdo ecogênico misto, geralmente espesso; parede mais espessa que o cisto folicular. Pode haver vascularização periférica visível no Doppler.
VÍDEO 26: Imagem ultrassonográfica em Modo B evidenciando estrutura compatível com cisto luteínico ovariano bovino.
Observa-se estrutura predominantemente anecoica de grandes dimensões, delimitada por parede mais espessa em relação ao cisto folicular, com discreta ecogenicidade parietal — achado compatível com processo de luteinização da parede cística, decorrente de discreta luteinização das células foliculares remanescentes, mesmo na ausência de ovulação.
Equipamento: transdutor retal, frequência 5,0 MHz. Fonte do vídeo: Luis Angel Quintela Arias
Conduta: tratamento com prostaglandina (PGF₂α), visando a lise do tecido luteal.
Metrite Puerperal
VÍDEO 27: Imagem ultrassonográfica transretal em Modo B, compatível com metrite puerperal.
Observa-se acúmulo de conteúdo intraluminal predominantemente hipoecoico, com alguns pontos dispersos de tonalidade hiperecoica compatível com material purulento característico do processo infeccioso.
Esse conteúdo purulento se movimenta na tela.
A parede uterina apresenta-se espessada e hiperecogênica, delimitando o corno uterino em corte transversal/longitudinal.
Equipamento: Mindray M6Vet. Transdutor 6LE5Vs (linear retal). Parâmetros: FH8.0/D4.6, G52/FR93, IP5/DR90.
VÍDEO 28: Imagem ultrassonográfica transretal em Modo B, compatível com metrite puerperal.
Corpo do útero apresentando ecogenicidade normal, de tonalidade hipoecoica.
Ao chegar no corno uterino, observa-se acúmulo de conteúdo predominantemente hipoecoico, com pontos dispersos de tonalidade hiperecoica compatível com material purulento.
Esse conteúdo purulento se movimenta na tela, dando o aspecto de que está escorrendo.
A parede uterina apresenta-se espessada e hiperecogênica, delimitando o corno uterino em corte transversal/longitudinal.
Equipamento: Mindray M6Vet. Transdutor 6LE5Vs (linear retal). Parâmetros: FH8.0/D4.6, G52/FR93, IP5/DR90.