Tópico 1 – Introdução

A pecuária leiteira moderna exige um controle rigoroso sobre os índices reprodutivos, com o objetivo de reduzir o intervalo entre partos, aumentar a taxa de prenhez e manter uma produção constante de leite ao longo do ano. Nesse cenário, a ultrassonografia transretal se tornou uma ferramenta indispensável na rotina de fazendas leiteiras tecnificadas, permitindo a avaliação precisa do status reprodutivo das vacas, a detecção precoce de gestação e o diagnóstico de alterações uterinas e ovarianas que afetam a fertilidade (Gasperin et al., 2017).

O uso da ultrassonografia na reprodução de vacas leiteiras permite a tomada de decisões rápidas, o direcionamento adequado de vacas vazias diagnosticadas precocemente ou em anestro e a programação eficiente de protocolos hormonais.

Desta forma, conseguimos diminuir o período de serviço e intervalo entre partos do rebanho, fazendo com que a produtividade seja maior por haver sempre mais vacas produzindo leite.

Tópico 2 – Rotina Reprodutiva das Vacas: do Parto ao Primeiro Exame Ginecológico

A gestão reprodutiva eficiente de vacas leiteiras exige organização, constância nas avaliações e decisões baseadas no resultado dos exames. Nesse cenário, a ultrassonografia reprodutiva tem papel central desde o pós-parto até a confirmação de uma nova gestação. Esse período é chamado de “período de serviço”. A ultrassonografia ajuda a identificar precocemente fêmeas com distúrbios uterinos, avaliar a involução uterina, monitorar o retorno à ciclicidade e adiantar a primeira inseminação artificial em tempo fixo (IATF).

Pós-parto e início da rotina reprodutiva

Logo após o parto, a vaca entra em um período fisiológico de anestro, no qual ocorre a involução uterina e a recuperação do eixo reprodutivo. Esse período pode se estender de 25 a 40 dias, ou até por meses, dependendo da nutrição, escore corporal, ocorrência de doenças puerperais e manejo geral.

Durante esse tempo, o útero sofre um processo de involução, com regeneração do endométrio, eliminação do lóquio e fechamento cervical. O ovário pode apresentar baixa atividade, especialmente em vacas de alta produção ou com distúrbios metabólicos, como cetose e hipocalcemia.

“A ultrassonografia permite monitorar a involução uterina e a recuperação da atividade ovariana, observar se há alguma patologia uterina como metrite, endometrite e piometra” (DA SILVA, 2022).

Período de Espera Voluntário (PEV)

O PEV é o intervalo definido pelo produtor ou pelo veterinário entre o parto e a primeira tentativa de inseminação. Comumente varia entre 30 e 60 dias, a depender do nível de produção leiteira, persistência de lactação, escore corporal da vaca e política reprodutiva da fazenda (CONSENTINI; WILTBANK; SARTORI, 2021).

Em vacas mestiças de média ou baixa produção, é importante que o PEV seja menor, pois o aumento do intervalo entre partos prejudica muito a produtividade da fazenda. Em rebanhos com persistência de lactação em torno de 80%, o prolongamento do intervalo entre partos reduziu a produção média diária de 9,3 para 7,7 litros por vaca, derrubando a produção total de 100 vacas de 771 para 546 litros por dia (SIGNORETTI, 2011 apud GONÇALVES, 2023).

Já propriedades com rebanhos altamente especializados podem trabalhar com PEV mais longo, porque suas vacas apresentam maior persistência de lactação e o aumento do intervalo entre partos não compromete tanto a produtividade. Em rebanhos com persistência de 95%, o mesmo prolongamento reduziu a produção total de 100 vacas de 1.228 para apenas 1.212 litros por dia (SIGNORETTI, 2011 apud GONÇALVES, 2023).

Ao final do PEV deve ser realizada uma ultrassonografia a fim de diagnosticar o status reprodutivo da vaca e consequentemente a escolha do protocolo mais adequado (CONSENTINI et al., 2026a).

Ciclo da Alta Fertilidade

Para obtenção de bons resultados reprodutivos, devemos inseminar o máximo possível as vacas após o período de espera voluntário (PEV), lançando mão de programas de fertilidade que envolvem protocolos de pré-sincronização somados a protocolos com GnRH (CONSENTINI; WILTBANK; SARTORI, 2021; CONSENTINI et al., 2026a). Esses protocolos são responsáveis pelo aumento do número de vacas com corpo lúteo e folículo responsivo ao GnRH no início do protocolo gerando um melhor ambiente uterino, maior sincronização e, consequentemente, maior fertilidade. Para melhorar ainda mais a fertilidade, é importante que a fazenda faça diagnóstico precoce de gestação, observação de cio eficiente e ressincronização em massa das vacas diagnosticadas vazias.

Primeiro exame ultrassonográfico (próximo ao final do PEV)

Cerca de 5 a 10 dias antes do término do PEV, realiza-se o primeiro exame ultrassonográfico pós-parto, que é essencial para:

  • Avaliar a involução uterina completa (útero simétrico, ausência de fluido, parede fina);
  • Identificar restos placentários, endometrite clínica ou subclínica (com Doppler e avaliação de conteúdo uterino);
  • Verificar o status ovariano: se há folículos funcionais (>10 mm), corpo lúteo (CL) ou ausência de estruturas (anestro);
  • Classificar as vacas para diferentes condutas: aptas para IATF, necessitando de indução hormonal (anestro), ou com patologias que exigem tratamento prévio.

Essa triagem permite aumentar as chances de gestação nas vacas em anestro e tratamento precoce de patologias reprodutivas, fato que certamente aumenta a taxa de prenhez do rebanho que acaba sendo convertido em maior lucratividade.

Tópico 3 – Ultrassonografia em Vacas de Leite

Achados Ultrassonográficos em Vacas em Anestro Profundo

A condição de anestro, muito comum no pós-parto de vacas leiteiras de média a alta produção, é caracterizada pela ausência de atividade ovariana cíclica e pode ser fisiológica ou patológica. A ultrassonografia permite diagnosticar precocemente essa condição, classificando o tipo de anestro e orientando as decisões clínicas com maior precisão.

Útero: Ausência de tônus uterino que está flácido e simétrico à palpação e imagem

Ovários: Ovários pequenos com superfície lisa, sem estruturas funcionais evidentes; ausência de corpo lúteo e folículos dominantes.

Diagnóstico: Anestro profundo (nutricional ou fisiológico)

VÍDEO 50: Imagem ultrassonográfica transretal em Modo B, evidenciando vaca em anestro profundo.

É possível observar útero não gestante, cortes longitudinais e transversais apresentando tonalidade hipoecogênica e homogeneidade por todo o órgão.

Há uma assimetria de ovários, mas em ambos, não há presença de estruturas relevantes como folículo dominante ou corpo lúteo.

Equipamento: Mindray M6Vet. Transdutor 6LE5Vs (linear retal). Parâmetros: F6.5/D4.6, G52/FR93, IP5/DR90.

VÍDEO 51: Imagem ultrassonográfica transretal em Modo B, evidenciando vaca em anestro profundo.

É possível observar útero de tamanho grande, não gestante, em cortes longitudinais e transversais apresentando tonalidade hipoecogênica e homogeneidade por todo o órgão.

Não há presença de estruturas relevantes como folículo dominante ou corpo lúteo em nenhum dos ovários, que estão simétricos.

Equipamento: Mindray M6Vet. Transdutor 6LE5Vs (linear retal). Parâmetros: F6.5/D4.6, G52/FR93, IP5/DR90.

VÍDEO 52: Imagem ultrassonográfica transretal em Modo B, evidenciando vaca em anestro profundo.

É possível observar útero não gestante, cortes longitudinais e transversais apresentando tonalidade hipoecogênica e homogeneidade por todo o órgão, incluindo os cornos uterinos e a curvatura do útero.

Não há assimetria entre os ovários, em ambos ovários não há presença de estruturas relevantes como folículo dominante ou corpo lúteo.

Equipamento: Mindray M6Vet. Transdutor 6LE5Vs (linear retal). Parâmetros: F8.0/D4.6, G52/FR93, IP5/DR90.

VÍDEO 53: Imagem ultrassonográfica transretal em Modo B, evidenciando vaca em anestro profundo.

Imagem longitudinal do útero até sua curvatura maior evidenciando que não há gestação. A imagem é hipoecoica e homogênea, sem a presença de tonalidade anecoica que evidenciaria presença de líquido.

Observa-se presença de dois ovários pequenos e sem estruturas significativas como folículos dominantes e corpo lúteo.

Equipamento: Mindray M6Vet. Transdutor 6LE5Vs (linear retal). Parâmetros: F6.5/D4.6, G52/FR93, IP5/DR90.

Conduta clínica: Realizar protocolo de indução de ciclicidade, desde que a vaca tenha bom escore de condição corporal.

Achados Ultrassonográficos em Vacas em Anestro Transitório

O anestro transitório é uma condição comum em vacas no período pós-parto, especialmente em propriedades com bom manejo nutricional, e representa uma fase fisiológica de recuperação do sistema reprodutivo, em que as vacas estão num período de transição e próximas de voltar à ciclicidade. É caracterizado pela ausência temporária de ovulação, mas com evidências de retorno gradual da atividade folicular. A ultrassonografia é essencial para diferenciar essa condição do anestro profundo, orientando a conduta clínica adequada.

Útero: Útero simétrico, com paredes finas e conteúdo uterino ausente. Pode haver leve tônus ao toque transretal, indicando início de resposta estrogênica.

Ovários: Presença de folículo dominante, sem evidência de corpo lúteo.

Diagnóstico: Anestro transitório – vaca em fase de retorno à ciclicidade, ainda sem ovulação efetiva e ausência de corpo lúteo.

VÍDEO 54: Imagem ultrassonográfica transretal em Modo B, evidenciando vaca em anestro transitório.

Imagem do útero, corte longitudinal e cortes transversais, evidenciando que não há gestação. A imagem uterina é hipoecogênica e homogênea, sem a presença de tonalidade anecoica que evidenciaria presença de líquido.

Observa-se presença de folículo dominante no ovário indicando anestro transitório.

Equipamento: Mindray M6Vet. Transdutor 6LE5Vs (linear retal). Parâmetros: F5.0/D4.6, G52/FR93, IP5/DR90.

VÍDEO 55: Imagem ultrassonográfica transretal em Modo B, evidenciando vaca em anestro transitório.

Imagem do útero, corte transversal, evidenciando que não há gestação. A imagem uterina é hipoecogênica e homogênea, sem a presença de tonalidade anecoica que evidenciaria presença de líquido.

Observa-se presença de folículo dominante em um dos ovários indicando anestro transitório.

Equipamento: Mindray M6Vet. Transdutor 6LE5Vs (linear retal). Parâmetros: F6.5/D4.6, G52/FR93, IP5/DR90.

VÍDEO 56: Imagem ultrassonográfica transretal em Modo B, evidenciando vaca em anestro transitório.

Ambos os ovários estão simétricos, porém o primeiro que aparece no vídeo apresenta folículo dominante indicando que a fêmea encontra-se em anestro transitório.

Nenhum dos ovários apresenta corpo lúteo.

Na imagem do útero, corte longitudinal, é possível ver a curvatura maior evidenciando que não há gestação. 

Equipamento: Mindray M6Vet. Transdutor 6LE5Vs (linear retal). Parâmetros: F6.5/D4.6, G52/FR93, IP5/DR90.

VÍDEO 57: Imagem ultrassonográfica transretal em Modo B, evidenciando vaca em anestro transitório.

A imagem uterina demonstra ausência de qualquer evidência de prenhez (conteúdo anecoico)

A visualização dos cortes transversais, da imagem da curvatura dos cornos uterinos e de cortes longitudinais, pode-se observar um conteúdo hipoecoico e homogêneo característicos de vaca vazia.

Não há assimetria evidente entre os ovários, porém nota-se que o primeiro que aparece no vídeo apresenta folículo dominante indicando que a fêmea encontra-se em anestro transitório. 

O segundo ovário apresenta-se sem estruturas relevantes.

Nenhum dos ovários apresenta corpo lúteo.

Equipamento: Mindray M6Vet. Transdutor 6LE5Vs (linear retal). Parâmetros: F6.5/D4.6, G52/FR93, IP5/DR90.

VÍDEO 58: Imagem ultrassonográfica transretal em Modo B, evidenciando vaca em anestro transitório.

A imagem uterina demonstra ausência de qualquer evidência de prenhez (conteúdo anecoico no útero)

É possível ver o corpo uterino no corte longitudinal com tonalidade hipoecoica e sem presença de líquido, tanto no corpo do útero, quanto na curvatura e nos cortes transversais dos cornos uterinos.

A assimetria entre os ovários também fica clara, sendo que o primeiro (maior) que aparece no vídeo possui um folículo dominante.

O segundo ovário apresenta-se menor e sem estruturas relevantes.

Nenhum dos ovários apresenta corpo lúteo.

Equipamento: Mindray M6Vet. Transdutor 6LE5Vs (linear retal). Parâmetros: F8.0/D4.6, G52/FR31, IP5/DR90.

Conduta clínica: Realizar protocolo de indução de ciclicidade.

Programas de fertilidade 1º Serviço Pós-Parto em Vacas de Leite de Alta Produção

Diferentes programas de fertilidade compartilham os mesmos princípios fisiológicos, variando na base farmacológica empregada (CONSENTINI et al., 2025. 

Em rebanhos que utilizam programas de fertilidade bem estabelecidos, as metas atuais são taxa de serviço igual ou superior a 60%, taxa de concepção geral acima de 40% e taxa de prenhez a cada 21 dias acima de 25%, com taxa de concepção no primeiro serviço igual ou superior a 50% (CONSENTINI et al., 2025.

É sempre válido lembrar que os tratamentos hormonais são eficientes apenas quando há boa condição corporal ou quando o animal estiver ganhando peso.

Protocolo de Indução de Ciclicidade em Vacas de Leite (Duplo E-Synch)

Esse protocolo (desenvolvido pela ESALQ-USP, testado e adaptado à realidade brasileira), será indicado para vacas com diagnóstico de anestro profundo ou transitório no final do PEV. Segundo Da Silva (2022), a ação da progesterona aumenta a frequência de secreção do hormônio LH ajudando no crescimento folicular ajudando no retorno da ciclicidade.

A pré-sincronização é uma estratégia chave implementada no final do PEV e é uma ferramenta de grande importância para estabelecer um programa reprodutivo que aumente a fertilidade do rebanho.

O objetivo da pré-sincronização é induzir uma ovulação prévia, de modo que a maioria das vacas inicie o protocolo de IATF entre os dias 6 e 7 do ciclo estral, o que aumenta a sincronização e melhora o ambiente hormonal durante o protocolo. Como esses manejos ocorrem durante o PEV, a pré-sincronização não atrasa o início da reprodução (CONSENTINI et al., 2025).

Os resultados fisiológicos ilustram por que o programa funciona: mais de 90% das vacas iniciam o protocolo com corpo lúteo presente, a taxa de ovulação no D0 supera 70%, e 99% apresentam corpo lúteo no D7. Ao final do protocolo, mais de 70% expressam cio e a taxa de ovulação chega a 94%. A taxa de ovulação múltipla fica em 7%, valor baixo frente a protocolos sem pré-sincronização — o que importa porque a ovulação múltipla pode resultar em gestação gemelar, uma das principais causas de perda gestacional em rebanhos leiteiros (CONSENTINI et al., 2026a).

IMAGEM 15: Protocolo de IATF para Vacas de Leite de Alta Produção em Anestro Pós-Parto — com etapa de Pré-Synch.

D-17 (pré-sincronização): Aplicação de GnRH (Buserelina) 16µg — induz a ovulação/luteinização de um folículo presente, sincronizando o início de uma nova onda folicular e “resetando” o eixo reprodutivo antes do protocolo principal.

D-10 (segunda etapa da pré-sincronização): Aplicação simultânea de ECP (Cipionato de Estradiol) 1mg + PGF (Prostaglandina) 500µg. A PGF promove luteólise do corpo lúteo formado após o GnRH do D-17, enquanto o ECP prepara o ambiente estrogênico, auxiliando na regulação dos receptores de ocitocina e no reestabelecimento da ciclicidade — etapa especialmente importante em vacas de alta produção, cujo metabolismo hepático acelerado reduz a meia-vida de P4 e E2 circulantes.

D0 (início do protocolo): Aplicação simultânea de Benzoato de Estradiol (BE) 2mg + inserção do implante de P4 (2g). A combinação de ambos leva a sincronização da nova onda folicular — a utilização do GnRH (Buserelina) 16µg, é uma estratégia especialmente relevante em vacas de alta produção, porque levam à ovulação e formação de um corpo lúteo (Elevação de P4).

Isso é importante nessas vacas cujo metabolismo hepático acelerado pode degradar P4 circulante muito rapidamente levando à ovulação de folículo persistente.

D8 ou D9 (retirada do implante): Remoção do implante de P4, associada a:

  • PGF (Prostaglandina) 500µg — promove luteólise
  • ECP (Cipionato de Estradiol) 1mg — indutor de ovulação

D10 ou D11: Realização da IATF.

Outros Programas de Fertilidade para o 1º Serviço Pós-Parto

Os programas de fertilidade combinam uma pré-sincronização com um protocolo de IATF otimizado. O objetivo da pré-sincronização é induzir uma ovulação prévia, fazendo com que a maioria das vacas inicie o protocolo de IATF no momento ideal do ciclo estral, geralmente entre os dias 6 e 7. Isso aumenta a sincronização e melhora o ambiente hormonal durante o desenvolvimento folicular. Um ponto importante é que a pré-sincronização não atrasa o início da reprodução, pois todos os manejos ocorrem dentro do período de espera voluntário (CONSENTINI et al., 2025).

Dois ajustes são comuns aos protocolos de IATF desses programas. O primeiro é o uso de GnRH no início: vacas que ovulam em resposta a esse tratamento apresentam melhor ambiente hormonal e maior sincronização. O segundo é a aplicação de duas doses de prostaglandina ao final, que aumenta a eficiência de regressão dos corpos lúteos e reduz a concentração de progesterona antes da inseminação (CONSENTINI et al., 2025).

Programa estabelecido tanto em experimentos científicos quanto no campo. A pré-sincronização é feita à base de dispositivo intravaginal de progesterona, prostaglandina e estradiol. O protocolo de IATF subsequente incorpora dose dobrada de GnRH no início e duas aplicações de prostaglandina ao final. O nome deriva do fato de que as duas ovulações do programa — a da pré-sincronização e a associada à IATF — são induzidas por estradiol; “Duplo” refere-se às duas sincronizações sequenciais, e “E” ao estradiol como indutor em ambas as etapas (CONSENTINI et al., 2025).

Duplo-Ovsynch

Programa com fisiologia e fertilidade amplamente estabelecidas, utilizado rotineiramente na indústria leiteira norte-americana e aplicável em fazendas brasileiras. O nome deriva de que tanto a pré-sincronização quanto o protocolo de IATF são estruturados como protocolos do tipo Ovsynch, tendo GnRH e prostaglandina como base farmacológica. Apesar da diferença farmacológica em relação ao Duplo E-Synch, os objetivos fisiológicos são os mesmos: posicionar as vacas em estágios favoráveis do ciclo estral antes do protocolo de IATF e otimizar o ambiente hormonal para maximizar a fertilidade (CONSENTINI et al., 2025).

Smart MatchDay-Synch-7

Nos dois programas anteriores, os manejos da pré-sincronização ocorrem em dias diferentes dos manejos do protocolo de IATF, o que cria um dia adicional de trabalho reprodutivo na semana. O Smart MatchDay-Synch-7 foi desenvolvido para resolver isso: sua pré-sincronização tem manejos que coincidem com os mesmos dias da semana já destinados ao protocolo de IATF, simplificando a rotina operacional da fazenda.

O nome reflete essa característica. “MatchDay” indica a coincidência dos dias, e o “7” faz referência à estrutura baseada em intervalos consecutivos de sete dias: sete dias entre o início e o fim da pré-sincronização, sete entre o fim da pré-sincronização e o início do protocolo de IATF, e sete entre o início do protocolo e a primeira aplicação de prostaglandina. A pré-sincronização inicia com dispositivo intravaginal de progesterona associado a prostaglandina, e a ovulação ao final dessa etapa é induzida por dose dobrada de GnRH (CONSENTINI et al., 2026b).

Achados Ultrassonográficos em Vacas Ciclando

As vacas ciclando apresentam atividade ovariana regular e estrutura uterina compatível com a fase do ciclo estral. O exame ultrassonográfico permite identificar com precisão o momento fisiológico da vaca e orientar a escolha do melhor protocolo reprodutivo ou o momento ideal para inseminação.

Útero: Presença de tônus uterino variável, dependendo da fase do ciclo. O útero pode estar com paredes espessadas em fases estrogênicas. Em fase lútea, o útero é menos reativo e mais simétrico.

Ovários: Presença de corpo lúteo funcional, podendo ou não apresentar folículo dominante (>10 mm). Pode haver presença de corpo lúteo cavitário ou sólido, dependendo da fase do ciclo. Folículos em diferentes estágios de crescimento também podem estar presentes.

Diagnóstico: Fêmea ciclando normalmente, com estruturas funcionais nos ovários e padrão uterino compatível com a fase do ciclo.

Conduta clínica: Incluir a vaca em programas de IATF de acordo com sua categoria ou até mesmo observação de cio.

  • Em rebanhos a campo, é possível liberar para monta natural, dependendo da estratégia adotada.
  • Aplicação de prostaglandina para lise do corpo lúteo e observação de cio que pode ocorrer de 2 a 6 dias.

VÍDEO 59: Imagem ultrassonográfica transretal em Modo B, evidenciando vaca em anestro transitório.

A imagem uterina demonstra ausência de qualquer evidência de prenhez (conteúdo anecoico no útero)

É possível ver o corpo uterino no corte longitudinal com tonalidade hipoecoica e sem presença de líquido, tanto no corpo do útero, quanto na curvatura e nos cortes transversais dos cornos uterinos.

O ovário apresenta corpo lúteo cavitário grande e alguns folículos pequenos ao redor.

O ovário contralateral apresenta-se pequeno e sem estruturas relevantes, apenas folículos pequenos (vários).

Equipamento: Mindray M6Vet. Transdutor 6LE5Vs (linear retal). Parâmetros: F8.0/D4.6, G52/FR31, IP5/DR90.

VÍDEO 60: Imagem ultrassonográfica transretal em Modo B, evidenciando vaca ciclando.

A imagem uterina demonstra ausência de qualquer evidência de prenhez (conteúdo anecoico no útero)

É possível ver o corpo uterino no corte longitudinal com tonalidade hipoecoica e sem presença de líquido, tanto no corpo do útero, quanto na curvatura e nos cortes transversais dos cornos uterinos.

No ovário é possível visualizar o corpo lúteo, grande e alguns folículos pequenos ao redor.

O ovário contralateral apresenta-se pequeno com um folículo dominante e alguns folículos pequenos ao redor.

Equipamento: Mindray M6Vet. Transdutor 6LE5Vs (linear retal). Parâmetros: F8.0/D4.6, G52/FR31, IP5/DR90.

VÍDEO 13: Imagem de ultrassonografia transretal em modo B (escala de cinza), mostrando útero e ovários em corte longitudinal.

A imagem uterina demonstra ausência de qualquer evidência de prenhez (conteúdo anecoico no útero)

É possível ver o corpo uterino no corte longitudinal com tonalidade hipoecoica e sem presença de líquido, tanto no corpo do útero, quanto na curvatura e nos cortes transversais dos cornos uterinos.

No ovário é possível visualizar o corpo lúteo, grande e alguns folículos pequenos ao redor.

O ovário contralateral apresenta-se com um folículo dominante.

Equipamento: Croxxvet R1 Color. Transdutor linear retal. Parâmetros: FH5.5/D100, G70

VÍDEO 13: Imagem de ultrassonografia transretal em modo B (escala de cinza), mostrando útero e ovários em corte longitudinal.

A imagem uterina (corte longitudinal e transversal) demonstra ausência de líquido, ou seja, conteúdo hipoecoico homogêneo por todo útero.

No ovário é possível visualizar o corpo lúteo cavitário grande e um pequeno folículo ao lado.

O ovário contralateral apresenta-se com apenas um folículo dominante de tamanho pequeno.

Equipamento: Croxxvet R1 Color. Transdutor linear retal. Parâmetros: FH5.5/D100, G70

 Protocolos de IATF

Existem diversos protocolos que podem ser implementados em vacas que estão ciclando, suas diferenças serão determinadas de acordo com a categoria animal envolvida:

Protocolos em vacas de alta produção envolvem aplicação de GnRH no D0 para gerar um CL que vai aumentar os níveis de progesterona durante o crescimento folicular.

O adiantamento da prostaglandina e sua repetição é importante para vacas de alta produção, para garantir uma queda rápida da progesterona.

IMAGEM 16: Protocolo de IATF para Vacas de Leite de Alta Produção (sem etapa de Pré-Synch).

D0 (início do protocolo): Aplicação do GnRH (Buserelina) 16µg + inserção do implante de P4 (2g). A combinação de ambos leva a sincronização da nova onda folicular — a utilização do GnRH (Buserelina) 16µg, é uma estratégia especialmente relevante em vacas de alta produção, porque levam à ovulação e formação de um corpo lúteo (Elevação de P4).

Isso é importante nessas vacas cujo metabolismo hepático acelerado pode degradar P4 circulante muito rapidamente levando à ovulação de folículo persistente.

D7 (primeira aplicação de PGF): PGF (Prostaglandina) 500µg — primeira dose, antecipando o processo de luteólise.

D9 (segunda aplicação de PGF + retirada do implante): Nova aplicação de PGF (Prostaglandina) 500µg, associada à retirada do implante de P4 e à aplicação de ECP (Cipionato de Estradiol) 1mg (indutor de ovulação).

D11: Realização da IATF.

IMAGEM 17: Protocolo de IATF para Vacas de Leite (implante de 8 dias).

D0 (início do protocolo): Aplicação simultânea de Benzoato de Estradiol (BE) 2mg + inserção do implante de P4 (1g). Juntos sincronizam a emergência de uma nova onda folicular.

D7 (primeira aplicação de PGF): PGF (Prostaglandina) 500µg — primeira dose, antecipando o processo de luteólise.

D8 (segunda aplicação de PGF + retirada do implante): Nova aplicação de PGF (Prostaglandina) 500µg, associada à retirada do implante de P4 e à aplicação simultânea de:

  • ECP (Cipionato de Estradiol) 1mg — indutor de ovulação
  • eCG (Gonadotrofina Coriônica Equina) 400UI — estimula o crescimento final do folículo dominante

D10: Realização da IATF.

IMAGEM 18: Protocolo de IATF para Vacas de Leite (implante de 9 dias).

D0 (início do protocolo): Aplicação simultânea de Benzoato de Estradiol (BE) 2mg + inserção do implante de P4 (1g), Juntos sincronizam a emergência de uma nova onda folicular.

D7 (primeira aplicação de PGF): PGF (Prostaglandina) 500µg — primeira dose, antecipando o processo de luteólise.

D9 (segunda aplicação de PGF + retirada do implante): Nova aplicação de PGF (Prostaglandina) 500µg, associada à retirada do implante de P4 e à aplicação simultânea de:

  • ECP (Cipionato de Estradiol) 1mg — indutor de ovulação
  • eCG (Gonadotrofina Coriônica Equina) 400UI — estimula o crescimento final do folículo dominante

D11: Realização da IATF.