Capitulo 7 - Ultrassonografia Aplicada à Pecuária de Corte
Tópico 1 – Introdução
A adoção da ultrassonografia na pecuária de corte vem crescendo significativamente, impulsionada pela busca por maior eficiência reprodutiva, redução de intervalos entre partos, descarte estratégico de fêmeas improdutivas e aumento do número de bezerros nascidos por estação de monta. Trata-se de uma tecnologia acessível e de alto impacto produtivo quando aplicada de forma sistemática e orientada por protocolos específicos.
A utilização do ultrassom como ferramenta para realização do diagnóstico de gestação precoce em protocolos de ressincronização é essencial para seu andamento. Esses protocolos permitem o encurtamento da estação de monta e melhoria da eficiência reprodutiva (GONÇALVES et al., 2025).
Tópico 2 – Rotina Reprodutiva em Gado de Corte
Estação de Monta
Consiste na concentração de todas as ações reprodutivas numa janela que dura cerca de 90 a 120 dias e coincide com a época de clima favorável e maior disponibilidade de alimento.
A estação de monta é uma estratégia fundamental na pecuária de corte para concentrar os partos, otimizar o uso dos recursos nutricionais e organizar o calendário produtivo e sanitário do rebanho. A ultrassonografia reprodutiva tem se consolidado como ferramenta indispensável para o planejamento, execução e avaliação da estação de monta, permitindo maior eficiência no uso de protocolos hormonais e na identificação precoce de problemas reprodutivos.
Antes da Estação de Monta
Antes do início da estação de monta, é fundamental realizar um exame ultrassonográfico completo de todas as matrizes do rebanho. Essa avaliação permite identificar com precisão o estado reprodutivo de cada fêmea, classificando-as quanto à presença ou ausência de ciclicidade, distinguindo entre vacas ciclando, em anestro transitório ou em anestro profundo — condições que correspondem às categorias de anovulação descritas por Wiltbank et al. (2002), que classificou o estado anovulatório conforme o estágio até o qual o crescimento folicular progride. Além disso, é possível avaliar o útero quanto ao seu grau de involução, identificar alterações patológicas e verificar se há alguma prenhez inesperada (NOGUEIRA et al., 2022).
Com base nesse diagnóstico antes da estação, o médico-veterinário pode agrupar as fêmeas em lotes homogêneos e de acordo com sua situação clínica e reprodutiva, o que facilita a aplicação de protocolos específicos de IATF e permite maior assertividade nas estratégias reprodutivas. A identificação prévia de animais com cistos ovarianos, infecções uterinas ou ovários inativos evita o desperdício de hormônios e sêmen em fêmeas que não responderiam adequadamente ao protocolo (WILTBANK et al., 2002). Esses animais devem ser encaminhados para tratamento imediato das patologias identificadas ou para protocolos de indução de ciclicidade.
Esse planejamento prévio contribui significativamente para o aumento da taxa de prenhez na primeira inseminação, uma vez que fêmeas que iniciam o protocolo apresentando corpo lúteo expressam mais cio (81,3% contra 67,1%) e alcançam maior taxa de prenhez por inseminação (66,0% contra 54,9%) do que aquelas sem corpo lúteo (ALVES et al., 2021). Além disso, permite o uso mais eficiente dos recursos disponíveis: a alocação dos lotes pode ser feita com base nas exigências nutricionais de cada grupo, otimizando a distribuição dos animais nos pastos e o fornecimento de suplementos, conforme a condição fisiológica e reprodutiva de cada matriz.
Achados Ultrassonográficos de Vacas em Anestro Profundo
A condição de anestro profundo é comum em vacas de corte submetidas a estresse nutricional, especialmente durante o pós-parto em períodos de escassez forrageira. Trata-se de uma condição fisiológica, mas que pode se perpetuar caso o ambiente e a nutrição não sejam corrigidos. A ultrassonografia reprodutiva é uma ferramenta decisiva para diferenciar essa situação de outras causas de infertilidade e orientar o uso de protocolos de indução hormonal.
Útero: O útero apresenta-se flácido, simétrico e com paredes finas.
Ovários: Os ovários são pequenos e de superfície lisa, sem presença de estruturas funcionais como corpo lúteo ou folículos dominantes. Quando presentes, os folículos são pequenos (< 5 mm).
Diagnóstico: Anestro profundo – ausência completa de atividade cíclica, geralmente associado a baixa condição corporal (ECC < 2,5), balanço energético negativo, presença do bezerro ao pé e fatores ambientais ou nutricionais desfavoráveis. Não se trata de uma condição patológica, mas de adaptação fisiológica à escassez energética.
VÍDEO 61: Imagem ultrassonográfica transretal em Modo B, evidenciando vaca em anestro profundo.
É possível observar útero não gestante, cortes longitudinais e transversais apresentando tonalidade hipoecogênica e homogeneidade por todo o órgão.
Há uma assimetria de ovários, mas em ambos, não há presença de estruturas relevantes como folículo dominante ou corpo lúteo.
Equipamento: Mindray M6Vet. Transdutor 6LE5Vs (linear retal). Parâmetros: F6.5/D4.6, G52/FR93, IP5/DR90.
VÍDEO 62: Imagem ultrassonográfica transretal em Modo B, evidenciando vaca em anestro profundo.
É possível observar útero não gestante, cortes longitudinais e transversais apresentando tonalidade hipoecogênica e homogeneidade por todo o órgão.
Existe uma assimetria de ovários, mas em ambos, não há presença de estruturas relevantes como folículos dominantes ou corpo lúteo.
Equipamento: Mindray M6Vet. Transdutor 6LE5Vs (linear retal). Parâmetros: F6.5/D4.6, G52/FR93, IP5/DR90.
VÍDEO 63: Imagem ultrassonográfica transretal em Modo B, evidenciando vaca em anestro profundo.
O útero não gestante é visto na imagem através do corte longitudinal, desde o corpo do útero até a curvatura e também foram feitos cortes transversais dos cornos uterinos evidenciando ausência de conteúdo anecoico que indicaria possível gestação.
Há uma assimetria de ovários, mas em ambos, não há presença de estruturas relevantes como folículo dominante ou corpo lúteo.
Equipamento: Mindray M6Vet. Transdutor 6LE5Vs (linear retal). Parâmetros: F8.0/D4.6, G52/FR93, IP5/DR90.
Conduta clínica: O manejo recomendado envolve o uso de protocolos hormonais de indução de ciclicidade. O sucesso da indução depende diretamente da nutrição e escore corporal da fêmea, sendo essencial que a vaca volte a ganhar peso.
Outra alternativa seria aumentar a dose do hormônio eCG para ajudar no crescimento do folículo dominante. Deve-se tomar cuidado com o risco de induzir gestações gemelares, por isso o ideal seria utilizar no máximo 400U.I de eCG em protocolos mais longos.
Por último, pode-se utilizar uma aplicação de GnRH como indutor de ovulação secundário no momento da inseminação para aumentar o número de ovulações. Essa estratégia pode ser adotada em todas as vacas em anestro profundo, mas principalmente em fêmeas que não demonstraram cio no protocolo.
Achados Ultrassonográficos de Vacas em Anestro Transitório
O anestro transitório representa uma condição fisiológica comum nas primeiras semanas pós-parto de vacas de corte e caracteriza-se pela ausência temporária de ciclicidade ovariana. É uma fase de transição entre o anestro profundo e a ciclicidade. O exame ultrassonográfico permite identificar essa condição e distinguir vacas com retorno iminente à atividade ovariana daquelas em anestro profundo.
Útero: Útero simétrico, com paredes finas e conteúdo uterino ausente. Pode haver leve tônus ao toque transretal, indicando início de resposta estrogênica.
Ovários: Presença de folículo dominante, sem evidência de corpo lúteo.
Diagnóstico: Anestro transitório – vaca em fase de retorno à ciclicidade, ainda sem ovulação efetiva e ausência de corpo lúteo.
VÍDEO 64: Imagem ultrassonográfica transretal em Modo B, evidenciando vaca em anestro transitório.
Imagem do útero, corte longitudinal evidenciando que não há gestação. A imagem uterina é hipoecogênica e homogênea, sem a presença de tonalidade anecoica que evidenciaria presença de líquido.
Observa-se presença de folículo dominante no ovário indicando anestro transitório.
Equipamento: Mindray M6Vet. Transdutor 6LE5Vs (linear retal). Parâmetros: F6.5/D4.6, G52/FR93, IP5/DR90.
VÍDEO 65: Imagem ultrassonográfica transretal em Modo B, evidenciando vaca em anestro transitório.
Imagem do útero, corte transversal, evidenciando que não há gestação. A imagem uterina é hipoecogênica e homogênea, sem a presença de tonalidade anecoica que evidenciaria presença de líquido. O mesmo ocorre nos cornos uterinos que foram visualizados através de cortes transversais.
Observa-se presença de folículo dominante em um dos ovários indicando anestro transitório, o ovário contralateral não apresenta estruturas significativas.
Equipamento: Mindray M6Vet. Transdutor 6LE5Vs (linear retal). Parâmetros: F6.5/D4.6, G52/FR93, IP5/DR90.
VÍDEO 66: Imagem ultrassonográfica transretal em Modo B, evidenciando vaca em anestro transitório.
Imagem do útero, corte transversal, evidenciando que não há gestação. A imagem uterina é hipoecogênica e homogênea, sem a presença de tonalidade anecoica que evidenciaria presença de líquido. O mesmo ocorre nos cornos uterinos que foram visualizados através de cortes transversais.
Observa-se presença de folículo dominante em um dos ovários indicando anestro transitório.
Equipamento: Mindray M6Vet. Transdutor 6LE5Vs (linear retal). Parâmetros: F8.0/D4.6, G52/FR31, IP5/DR90.
VÍDEO 67: Imagem ultrassonográfica transretal em Modo B, evidenciando vaca em anestro transitório.
Imagem do útero, corte transversal, evidenciando que não há gestação. A imagem uterina é hipoecogênica e homogênea, sem a presença de tonalidade anecoica que evidenciaria presença de líquido. O mesmo ocorre nos cornos uterinos que foram visualizados através de cortes transversais.
Observa-se presença de folículo dominante em um dos ovários indicando anestro transitório.
Equipamento: Mindray M6Vet. Transdutor 6LE5Vs (linear retal). Parâmetros: F6.5/D4.6, G52/FR31, IP5/DR90.
Conduta clínica: Realização de protocolos de indução de ciclicidade.
Mais um caso em que é possível utilizar uma aplicação de GnRH como indutor de ovulação secundário no momento da inseminação para aumentar o número de ovulações. Essa estratégia pode ser adotada em todas as vacas em anestro ou apenas nas que não demonstraram cio no protocolo.
Protocolos de Indução de Ciclicidade em Vacas de Corte
São protocolos que tem o objetivo de retomar a ciclicidade de vacas em anestro através da utilização da progesterona que pode ser injetável ou intravaginal.
IMAGEM 19: Protocolo de IATF para Vacas em anestro
D-10: Aplicação de 1ml de progesterona injetável
D0 (início do protocolo): Aplicação simultânea de Benzoato de Estradiol (BE) 2ml + inserção do implante de P4 (1g), Juntos sincronizam a emergência de uma nova onda folicular.
D8: Aplicação de PGF + retirada do implante
- ECP (Cipionato de Estradiol) 2mg — indutor de ovulação
- eCG (Gonadotrofina Coriônica Equina) 400UI — estimula o crescimento final do folículo dominante
D10: Realização da IATF.
Achados Ultrassonográficos de Vacas Ciclando
A identificação de vacas ciclando é um ótimo sinal para o sucesso dos programas reprodutivos em rebanhos de corte, pois indica que essas vacas estão em ótimas condições para reprodução. A ultrassonografia permite não apenas confirmar a presença de atividade ovariana, mas também avaliar em que fase do ciclo estral a fêmea se encontra, o que auxilia diretamente na definição de protocolos de inseminação artificial em tempo fixo.
Útero: O útero geralmente apresenta tônus moderado a intenso, dependendo da fase estral e se há presença de ação estrogênica (fase folicular) ou progesterônica (fase luteal).
Ovários: Presença de corpo lúteo funcional, podendo ou não apresentar folículo dominante (>10 mm).
Diagnóstico: Atividade cíclica normal – fêmea apta à inseminação, com resposta endócrina adequada e estruturas ovarianas funcionais.
Conduta clínica: A resposta a protocolos em vacas ciclando tende a ser superior, com maiores taxas de prenhez.
Diversas estratégias podem ser adotadas:
Escolha de um protocolo base
VÍDEO 68: Imagem ultrassonográfica transretal em Modo B, evidenciando vaca ciclando.
A imagem uterina demonstra ausência de qualquer evidência de prenhez (não há conteúdo anecoico no útero)
É possível ver os cortes uterinos no eixo longitudinal e transversal, mesmo que rapidamente. A imagem uterina tem tonalidade hipoecoica e sem presença de líquido, tanto no corpo do útero, quanto na curvatura.
No ovário é possível visualizar o corpo lúteo cavitário, grande e alguns folículos pequenos ao redor.
O ovário contralateral apresenta-se grande, porém não se observa estruturas relevantes como um folículo dominante ou corpo lúteo.
Equipamento: Mindray M6Vet. Transdutor 6LE5Vs (linear retal). Parâmetros: F8.0/D4.6, G52/FR31, IP5/DR90.
VÍDEO 69: Imagem ultrassonográfica transretal em Modo B, evidenciando vaca ciclando.
A imagem uterina demonstra ausência de qualquer evidência de prenhez (não há conteúdo anecoico no útero)
No ovário é possível visualizar o corpo lúteo cavitário, grande e ainda a presença de folículo dominante.
O ovário contralateral apresenta-se menor, possuindo um folículo dominante.
Equipamento: Mindray M6Vet. Transdutor 6LE5Vs (linear retal). Parâmetros: F6.5/D4.6, G52/FR93, IP5/DR90.
VÍDEO 70: Imagem ultrassonográfica transretal em Modo B, evidenciando vaca ciclando.
A imagem uterina demonstra ausência de qualquer evidência de prenhez (não há conteúdo anecoico no útero)
No ovário é possível visualizar o corpo lúteo grande e ainda a presença de alguns folículos pequenos.
Equipamento: Mindray M6Vet. Transdutor 6LE5Vs (linear retal). Parâmetros: F8.0/D4.6, G52/FR31, IP5/DR90.
VÍDEO 71: Imagem ultrassonográfica transretal em Modo B, evidenciando vaca ciclando.
A imagem uterina demonstra ausência de qualquer evidência de prenhez (não há conteúdo anecoico no útero)
No ovário é possível visualizar o corpo lúteo pequeno e ainda a presença de folículo dominante.
Equipamento: Mindray M6Vet. Transdutor 6LE5Vs (linear retal). Parâmetros: F8.0/D4.6, G52/FR93, IP5/DR90.
IMAGEM 20: Protocolo de IATF para vacas ciclando
D0 (início do protocolo): Aplicação simultânea de Benzoato de Estradiol (BE) 2ml + inserção do implante de P4 (0,5g). A combinação de ambos leva à sincronização da nova onda folicular
D8 Remoção do implante de P4, associada a três aplicações simultâneas:
- PGF (Prostaglandina) 2ml — promove luteólise, caso haja corpo lúteo presente
- ECP (Cipionato de Estradiol) 0,6mg — indutor de ovulação de ação mais prolongada, compatível com o intervalo até a IATF
- eCG (Gonadotrofina Coriônica Equina) 300UI — estimula o crescimento final do folículo dominante, potencializando a ovulação
D10: Realização da IATF.
A aplicação de prostaglandina no início do protocolo reduz as concentrações de progesterona circulante durante o desenvolvimento folicular. Em vacas Nelore, esse ajuste não alterou a prenhez por IA no rebanho como um todo, mas apresentou tendência de aumento nas fêmeas que iniciaram o protocolo com corpo lúteo (69,1% contra 62,5%), sendo portanto uma estratégia indicada sobretudo em lotes com boa ciclicidade (ALVES et al., 2021). Estratégia semelhante é a antecipação da aplicação de prostaglandina para antes da retirada do dispositivo, que elevou a taxa de concepção à IATF de 49,3% para 60,9% e a prenhez final de 76,7% para 89,1% em vacas de corte (BITTENCOURT et al., 2009; GODOI FILHO, 2021).
O uso de eCG na retirada do dispositivo e de GnRH no dia da inseminação deve ser avaliado conforme o perfil do lote. O GnRH na IATF aumentou a prenhez por IA (59,8% contra 55,5%), com efeito mais pronunciado em vacas que não manifestaram cio (52,7% contra 38,1%), primíparas e de escore corporal inferior a 3,0. Em fêmeas cíclicas que manifestam cio, o benefício adicional é reduzido (ALVES et al., 2021).
Tópico 3 – Estratégias na Estação de Monta
Durante a estação de monta, a adoção de estratégias reprodutivas bem definidas é essencial para alcançar altas taxas de prenhez e reduzir o intervalo entre partos. Um dos principais desafios enfrentados nesse período é a presença de vacas em anestro, condição bastante comum em sistemas de cria extensivos, principalmente entre fêmeas de escore corporal abaixo do ideal ou em fase de recuperação pós-parto (BÓ et al., 2019).
Para lidar com esse cenário, os protocolos de indução de ciclicidade – também chamados de pre-synch – têm sido amplamente utilizados com sucesso. Esses protocolos geralmente envolvem o uso de dispositivos intravaginais de progesterona (P4), associados à administração de eCG (gonadotrofina coriônica equina) no momento da retirada do implante, e GnRH (hormônio liberador de gonadotrofina) no dia da inseminação (BÓ et al., 2019).
A progesterona exerce efeito de “priming” sobre o eixo hipotálamo-hipofisário em fêmeas em anestro, aumentando a responsividade ao estradiol e a probabilidade de uma onda normal de LH após a retirada do dispositivo, enquanto o eCG fornece suporte gonadotrófico exógeno, estimulando o crescimento folicular em fêmeas com atividade endógena de LH reduzida, promovendo o retorno à ciclicidade e aumentando a probabilidade de resposta positiva à IATF subsequente (BOGDAN et al., 2026).
Outro ponto-chave da estação de monta moderna é a ressincronização sistemática das vacas vazias, visando minimizar o tempo entre o diagnóstico de gestação negativo e uma nova tentativa de inseminação. Dentro dessa abordagem, três estratégias principais se destacam: Resynch 30, Resynch 22 e Resynch 14 . Todas essas estratégias dependem da utilização do aparelho de ultrassom (BÓ et al., 2019).
A estratégia Resynch 30 consiste em realizar um novo protocolo hormonal completo para IATF em todas as vacas diagnosticadas vazias 30 dias após a inseminação inicial. Essa abordagem é simples e permite manter um fluxo contínuo de manejos e intervalo de inseminações de 40 dias (GONÇALVES et al., 2025).
Já a estratégia Resynch 22 inclui o início do novo protocolo hormonal 22 dias após a IATF, sem o diagnóstico de gestação. Assim, o diagnóstico de gestação ultrassonográfico é feito ao redor de 30 dias, permitindo confirmar prenhez e interromper o protocolo nas fêmeas gestantes, enquanto as não gestantes já estarão em tratamento. Essa estratégia permite um intervalo de inseminações de 32 dias (BÓ et al., 2019; GONÇALVES et al., 2025).
A abordagem mais precoce, o Resynch 14, inicia o novo protocolo hormonal 14 dias após a IATF, utilizando ultrassonografia com Doppler ou técnicas de avaliação precoce de corpo lúteo para selecionar as vacas não gestantes. Essa técnica permite redução ainda maior nos intervalos entre inseminações, mas exige maior controle técnico e exames mais precisos. Essa estratégia permite um intervalo de inseminações de 24 dias (BÓ et al., 2019; PUGLIESI et al., 2017).
Essas estratégias de ressincronização têm se mostrado eficientes em reduzir o intervalo entre inseminações e, consequentemente, encurtar a estação de monta e o intervalo entre partos, mantendo taxas de prenhez acumuladas semelhantes às obtidas com a ressincronização convencional (GONÇALVES et al., 2025). O ganho é ainda mais evidente quando se compara a ressincronização sistemática com o uso de touros de repasse: uma ou duas ressincronizações resultaram em prenhez acumulada de 87,7% e 87,8%, contra 77,1% de uma única IATF seguida de exposição a touros (BÓ et al., 2019). Em todos os casos, o uso sistemático da ultrassonografia para diagnóstico precoce de gestação e avaliação funcional dos ovários e do útero é condição para a implementação dessas estratégias.